É PRECISO ENTENDER A DIFERENÇA ENTRE DELIRIUM E DEMÊNCIA


Embora pacientes idosos com demência possam sofrer com um quadro de delirium, essas são duas condições médicas diferentes. Para falar do tema, conversei com o médico psiquiatra Jerson Laks, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj e de dois cursos de pós-graduação: em psiquiatria e saúde mental do Instituto de Psiquiatria da UFRJ; e em biomedicina translacional da Unigranrio.

Qual a diferença entre delirium e demência?

Dr. Jerson Laks: o delirium ocorre em ambiente de rebaixamento da consciência, no qual o indivíduo fica obnubilado. A pessoa se mostra desorientada e apresenta lentidão de resposta a estímulos. O ambiente também influencia, se for pouco iluminado ou levar ao isolamento sensorial. O delirium pode provocar ilusões e alucinações, mas há a possibilidade de o paciente ficar apático, meio grogue. Já a demência é progressiva, embora o indivíduo esteja lúcido. Vale lembrar que a Doença de Alzheimer responde por 60% dos casos de demência. Quando o quadro de desorientação se inicia de modo abrupto, a maior chance é de ser um caso de delirium, mas o idoso pode ter as duas formas combinadas, elas não são excludentes. Há ainda o delírio, que é uma alteração do juízo crítico. A pessoa apresenta um comportamento paranoide como, por exemplo, quando diz que está sendo perseguida, mas ela está lúcida e sua consciência está preservada.

Qualquer pessoa pode sofrer com um quadro de delirium?

Dr. Jerson Laks: qualquer problema médico pode causar esta condição, em qualquer idade, embora ela seja mais comum acima dos 60 anos. Uma infecção, uma doença crônica ou a utilização de medicamentos com efeito no sistema nervoso central podem causar o delirium. Num paciente idoso, um quadro de anemia ou desidratação pode deflagrar o processo, assim como uma infecção urinária ou pulmonar.

A situação é reversível? Como poderia ser evitada?

Dr. Jerson Laks: sim, ela cessa com a solução dos problemas clínicos. É importante lembrar que, se o paciente estiver hospitalizado, o delirium aumenta o tempo de internação. O ambiente hospitalar pode ser adaptado para minimizar os riscos dessa condição. Nada impede, por exemplo, que um CTI tenha uma janela que deixe a luminosidade entrar, ou estímulos visuais como uma pintura no teto, ou um relógio para mostrar a passagem do tempo. Isso poderia ser feito sem prejuízo para a necessidade de isolamento e proteção do paciente.

Foto: Jerson Laks / Crédito: Mariza Tavares

Fonte: http://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/e-preciso-entender-diferenca-entre-delirium-e-demencia.html