Tarefas que fazem parte da rotina do cuidador

O bom cuidador é aquele que observa e identifica o que a pessoa pode fazer por si,

avalia as condições e ajuda a pessoa a fazer as atividades. Cuidar não é fazer pelo outro,

mas ajudar o outro quando ele necessita, estimulando a pessoa cuidada a conquistar sua autonomia, mesmo que seja em pequenas tarefas. Isso requer paciência e tempo!


Cuidado significa atenção, precaução, cautela, dedicação, carinho, encargo e responsabilidade. Cuidar é servir, é oferecer ao outro, em forma de serviço, o resultado de seus talentos, preparo e escolhas; é praticar o cuidado. Cuidar é também perceber a outra pessoa como ela é, e como se mostra, seus gestos e falas, sua dor e limitação.


Percebendo isso, o cuidador tem condições de prestar o cuidado de forma individualizada, a partir de suas idéias, conhecimentos e criatividade, levando em consideração as particularidades e necessidades da pessoa a ser cuidada. Esse cuidado deve ir além dos cuidados com o corpo físico, pois além do sofrimento físico decorrente de uma doença ou limitação, há que se levar em conta as questões emocionais, a história de vida, os sentimentos e emoções da pessoa a ser cuidada.


Quem é o cuidador


Cuidador é um ser humano de qualidades especiais, expressas pelo forte traço

de amor à humanidade, de solidariedade e de doação. A ocupação de cuidador integra

a Classificação Brasileira de Ocupações – CBO sob o código 5162, que define o

cuidador como alguém que “cuida a partir dos objetivos estabelecidos por instituições

especializadas ou responsáveis diretos, zelando pelo bem-estar, saúde, alimentação,

higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer da pessoa assistida”. É a pessoa, da

família ou da comunidade, que presta cuidados à outra pessoa de qualquer idade, que

esteja necessitando de cuidados por estar acamada, com limitações físicas ou mentais,

com ou sem remuneração.


Nesta perspectiva mais ampla do cuidado, o papel do cuidador ultrapassa o simples

acompanhamento das atividades diárias dos indivíduos, sejam eles saudáveis, enfermos e/ ou acamados, em situação de risco ou fragilidade, seja nos domicílios e/ou em qualquer tipo de instituições na qual necessite de atenção ou cuidado diário.


A função do cuidador é acompanhar e auxiliar a pessoa a se cuidar, fazendo pela

pessoa somente as atividades que ela não consiga fazer sozinha. Ressaltando sempre

que não fazem parte da rotina do cuidador técnicas e procedimentos identificados com

profissões legalmente estabelecidas, particularmente, na área de enfermagem.


Cabe ressaltar que nem sempre se pode escolher ser cuidador, principalmente

quando a pessoa cuidada é um familiar ou amigo. É fundamental termos a compreensão de se tratar de tarefa nobre, porém complexa, permeada por sentimentos diversos e contraditórios.


A seguir, algumas tarefas que fazem parte da rotina do cuidador:


• Atuar como elo entre a pessoa cuidada, a família e a equipe de saúde.

• Escutar, estar atento e ser solidário com a pessoa cuidada.

• Ajudar nos cuidados de higiene.

• Estimular e ajudar na alimentação.

• Ajudar na locomoção e atividades físicas, tais como: andar, tomar sol e exercícios

físicos.

• Estimular atividades de lazer e ocupacionais.

• Realizar mudanças de posição na cama e na cadeira, e massagens de conforto.

• Administrar as medicações, conforme a prescrição e orientação da equipe de

saúde.

• Comunicar à equipe de saúde sobre mudanças no estado de saúde da pessoa

cuidada.

• Outras situações que se fizerem necessárias para a melhoria da qualidade de vida

e recuperação da saúde dessa pessoa.


O ato de cuidar não caracteriza o cuidador como um profissional de saúde, portanto o cuidador não deve executar procedimentos técnicos que sejam de competência dos profissionais de saúde, tais como: aplicações de injeção no músculo ou na veia, curativos complexos, instalação de soro e colocação de sondas, etc.


As atividades que o cuidador vai realizar devem ser planejadas junto aos profissionais de saúde e com os familiares. Nesse planejamento deve ficar claro para todos as atividades que o cuidador pode e deve desempenhar. É bom escrever as rotinas e quem se responsabiliza pelas tarefas.

É importante que a equipe deixe claro ao cuidador que procedimentos ele não pode e não deve fazer, quando chamar os profissionais de saúde, como reconhecer sinais e sintomas de perigo.

As ações serão planejadas e executadas de acordo com as necessidades da pessoa a ser cuidada e dos conhecimentos e disponibilidade do cuidador.

A parceria entre os profissionais e os cuidadores deverá possibilitar a sistematização das tarefas a serem realizadas no próprio domicílio, privilegiando-se aquelas relacionadas à promoção da saúde, à prevenção de incapacidades e à manutenção da capacidade funcional da pessoa cuidada e do seu cuidador, evitando-se assim, na medida do possível, hospitalização, asilamentos e outras formas de segregação e isolamento.



Fonte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_pratico_cuidador.pdf



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